sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Situando emoções

Guardei teu olhar numa caixinha
Tão bem, bem lá dentro.
Amarrei a prova de força,
Bloqueei a prova de vento.

Guardei teu carinho num pensamento
Tão bem, que nem lembro.
De onde ficou,
Ou se ainda o tenho.

Guardei tuas palavras e tenho
Tão, tão lúcidas
Que confundo
E as repito desatento.

Como se fossem minhas palavras
Como se o carinho fosse meu.

E na verdade quem está aqui
É a saudade

E quem está guardado
Sou eu.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Espie só:

Nego, veja só. Me escute,
essa aí tá mais pra lá de Exú
q'aqui pra's terra de elite.

Recife que me desculpe
mas, se ela voltar, vai lascar mais
que cachorro doido da peste.

E meu nego, você não me invente
de chorar, depois não me venha reclamar
ou implorar que nem mulesta de crente no altar.

Se aprume, e escute o que vou lhe avisar:

Se um dia ela lhe informar
que sentia um bocado, ou quiçá,
um bocadinho de sentimento;

Ou um dia havia desbocado
seus desejos e seus temores,
pra arretar ou impressiona-lo;

Que destas palavras, duvides.
Pois essa nega, essa neguinha,
que lhe desmereces, ouche,

Mar vale nem uma riminha viss..
Pense numa cabrunquenta!

sábado, 7 de março de 2015

Pisando em ovos

 Minha palavra não tem peso, é hesito.
 Irresoluta como os passos da minha confiança,
nunca convicta.

 Desconfiar de tudo nem sempre dá frutos
é como assistir a infinitos abortos do mundo

Ou à rimas com fim de ponto e vírgula;


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

(Des)conectada à vida.

Quase tudo o que penso, sinto o oposto.
Sou pedestre incerto, andando pelas calçadas da vida.
Sou homo sapiens em (r)evolução.
Sou paixão da vida, da dificuldade, da tragédia, da alegria.
Sou Maria sem João, Maria João.
Sou pura conexão,
mas sinto o oposto.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Auto-aversão poética

Quase tudo o que digo,
desejo o oposto.
Mas desejo não me arrepender,
sabendo, não querer me prolongar
Desistir, numa desconstrução da palavra:
deixar de existir.

Quase tudo o que eu faço,
penso na obrigação.
Penso no que não seria obrigação.
Penso no não-fazer, e me iludo,
para depois me atormentar com tudo.

Mas nada do que faço é para mim,
mas para os outros.
Nada é por mim.

Há muito tempo
já não vivo mais por mim.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Falsa calmaria.

Uma vez que:
Minha sombra se encontra carregada,
de rancor,
de ansiedade,
contradição e contrapor
todas as boas idéias.

Uma vez que..
Que tomar o cursor,
encarregará-se de me por um fim.

E que eterno e derradeiro seja...


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Grandioso é o gesto a partir da intenção mais pura.

1. Divago:

Não soube onde estava o eu mais profundo até o momento. Desacreditei estar vivo - até você me livrar: inspirar. É como se o procurasse ha muitos anos - o menino que nunca reconheci, mas nos meus sonhos sempre vi: repousando seus óculos na grama enquanto, recostado contra a árvore mais robusta do vale, descansa.
O menino que recita sonhos, e sorri.


2. E então, um poema:

Furto tuas palavras
Furto teus pensamentos,

Furto o que faz parte de tudo
o que é parte de ti - pedaços de ti:
Quero-os para mim.
Tomo-os como analgésico, procurando
e achando incessantemente 
o que se perdeu de mim.

Acho-me em ti e tu me devolves a mim.
A partir do instante que m'encontro
excitada, 
instigada,
descaradamente viciada,
me imponho:

apaixonada.



C.R.

Viva a revolução poética !

Viva a revolução poética !
Concorde também com essa causa.

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A red curled hair head puppet without leg. Can you imagine that? - Nice to meet you too.

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